XADREZ ELEITORAL DE 2026 AUMENTA A TEMPERATURA POLÍTICA DA BAHIA

A disputa pelo Palácio de Ondina ganha contornos de revanche entre Jerônimo e ACM Neto, enquanto a base governista tenta evitar um "congestionamento" de nomes fortes para o Legislativo.


SALVADOR – A pouco mais de nove meses das eleições, a Bahia já respira o clima eleitoral. Diferente de pleitos anteriores, o cenário atual não apresenta um favorito absoluto, mas sim um equilíbrio de forças que obriga partidos a anteciparem suas estratégias de chapa.

1. A disputa pelo Governo: Revanche ou Terceira Via?

O cenário principal repete o duelo de 2022, mas com variáveis inversas. Agora, Jerônimo Rodrigues (PT) um novato na outra eleição, agora  busca a reeleição com a máquina pública na mão, enquanto ACM Neto (União Brasil) tenta retomar o controle do estado que sua família comandou por décadas.

  • Cenário A (Polarização Pura): Jerônimo Rodrigues (PT) vs. ACM Neto (União Brasil). Pesquisas recentes (como Quaest e Paraná Pesquisas) mostram um empate técnico ou liderança numérica de Neto, dependendo do levantamento. A aprovação do governo Jerônimo, que flutua em torno de 59%, será o principal combustível da campanha governista.
  • Cenário B (A Direita Unida ou Dividida): João Roma (PL) já se colocou como pré-candidato. Se ele mantiver a candidatura, a direita fica dividida, o que favorece Jerônimo em um eventual primeiro turno. Caso haja uma composição e Roma indique o vice de ACM Neto, a oposição ganha musculatura para tentar vencer no primeiro turno.

2. O “Nó” do Senado: Duas vagas e muitos nomes

Este ano, a Bahia elegerá dois senadores. Atualmente, as vagas são ocupadas por Jaques Wagner (PT) e Angelo Coronel (PSD). É aqui que reside a maior tensão na base aliada de Jerônimo.

  • O “Trator” Governista: O ministro da Casa Civil, Rui Costa (PT), lidera todas as pesquisas de intenção de voto para o Senado. O senador Jaques Wagner também já confirmou que tentará a reeleição.
  • O Dilema dos Aliados: Com dois nomes do PT (Rui e Wagner) na chapa, aliados como o PSD de Otto Alencar e o MDB de Geraldo Júnior podem se sentir escanteados. Angelo Coronel (PSD) já declarou que não abre mão de disputar a reeleição, o que pode gerar uma crise interna ou a necessidade de uma chapa “puro-sangue” petista, algo que desagrada à base ampla.
Possíveis Nomes para o SenadoPartidoStatus
Rui CostaPTFavorito nas pesquisas
Jaques WagnerPTBusca a reeleição
João RomaPLNome forte da direita
Angelo CoronelPSDTenta manter a vaga
Dra. Raíssa SoaresPRTB/PLOpção conservadora

3. As Composições de Vice: A Moeda de Troca

A escolha do vice será estratégica para ampliar o alcance geográfico e partidário das chapas:

  1. Chapa Jerônimo: A tendência é manter ou indicar um nome do MDB ou PSD para selar a aliança. Geraldo Júnior, atual vice, é um nome natural, mas o PSD cobra mais espaço após o crescimento nas eleições municipais de 2024.
  2. Chapa ACM Neto: Neto precisa de um nome forte no interior. Especula-se uma aliança com o PP (Partido Progressista) ou até mesmo um nome indicado pelo PL de Bolsonaro para consolidar os votos conservadores.

O Fator Lula e o Fator Bahia

Assim como em 2022, o “casamento” com o cenário nacional será decisivo. Jerônimo aposta na popularidade de Lula no estado (onde o presidente historicamente tem altas votações) para alavancar sua reeleição. Já ACM Neto busca desvincular a eleição estadual da nacional, focando em problemas locais como a Segurança Pública, tema que se tornou o principal “calcanhar de Aquiles” da gestão petista.

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