MANGA: DESAFIO FITOSSANITÁRIO COM AS NOVAS NORMAS NA EUROPA

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A fruticultura do Vale do São Francisco, principal polo exportador de mangas do Brasil, enfrenta em 2026 um de seus períodos mais decisivos no mercado internacional. O rigor das autoridades da União Europeia (UE) em relação à presença da mosca-das-frutas (Ceratitis capitata) e as novas restrições a defensivos químicos colocaram os produtores brasileiros em uma encruzilhada: adaptar-se à era do “resíduo zero” ou perder o acesso ao seu maior mercado consumidor.


O Cenário Atual: Rigor e Bloqueios

A União Europeia absorve aproximadamente 70% das exportações de manga da região. No entanto, o bloco endureceu as diretrizes, classificando a mosca-das-frutas como uma “praga de quarentena”. Em 2026, qualquer detecção de larvas vivas nos portos europeus resulta na destruição imediata da carga e no risco de suspensão das fazendas exportadoras.

Este cenário é agravado pelo Green Deal (Acordo Verde Europeu), que impôs um “muro sanitário” através do banimento de substâncias químicas fundamentais para o manejo tradicional.

O “Muro Sanitário”: Substâncias Banidas

Desde o início de 2026, vários princípios ativos entraram na lista de proibição total ou tiveram seus Limites Máximos de Resíduos (LMR) reduzidos a níveis quase indetectáveis:

SubstânciaFunção OriginalStatus na UE (2026)
MancozebeFungicida de amplo espectroProibido (risco ambiental e à saúde)
GlufosinatoHerbicidaProibido (potencial reprotóxico)
CarbendazimFungicida sistêmicoProibido (mutagênico/teratogênico)
Tiofanato-metílicoFungicidaProibido (restrições severas de LMR)

A Virada Biológica: Soluções Sustentáveis

Para contornar as proibições e manter a competitividade, o Vale do São Francisco está protagonizando uma transição tecnológica, substituindo a química por Manejo Integrado de Pragas (MIP) e soluções biológicas:

  • Técnica do Inseto Estéreo (TIE): Coordenada por biofábricas locais, consiste na liberação de milhões de machos estéreis que impedem a reprodução da praga no campo, reduzindo a infestação sem uso de venenos.
  • Parasitoides (Inimigos Naturais): A introdução da vespa Diachasmimorpha longicaudata, que ataca as larvas da mosca-das-frutas, tornou-se uma ferramenta biológica essencial.
  • Bioinseticidas: O uso de fungos entomopatogênicos, como Metarhizium anisopliae e Beauveria bassiana, que infectam e eliminam a praga de forma natural.
  • Iscas de Baixo Impacto: Substituição de inseticidas de cobertura por iscas à base de Espinosade, que possui baixíssima toxicidade e atende aos requisitos europeus de segurança alimentar.

Impactos Econômicos e Logísticos

Embora a transição garanta a exportação, ela eleva os custos de produção. O tratamento térmico (banho hidrotérmico a 46°C) continua obrigatório para eliminar larvas remanescentes, mas o foco agora é chegar ao porto com “resíduo zero”.

“A Europa não aceita mais apenas uma fruta visualmente bonita; ela exige um certificado de segurança biológica que começa no monitoramento das armadilhas e termina no rastreamento total da caixa,” afirma um consultor fitossanitário da Valexport.

Perspectivas para o Futuro

A manga do Vale está deixando de ser um produto de química intensiva para se tornar um exemplo de bioengenharia aplicada. O sucesso do setor em 2026 depende dessa metamorfose forçada. A barreira fitossanitária, no fundo, tornou-se uma barreira de inovação: apenas os produtores que dominarem as técnicas biológicas garantirão seu espaço nas gôndolas de Berlim, Paris e Madri.

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