
RECIFE (PE) – O cenário político pernambucano inicia fevereiro de 2026 em clima de alta voltagem. Enquanto o estado se prepara para o auge das festividades carnavalescas, nos bastidores do Palácio do Campo das Princesas e da Assembleia Legislativa (Alepe), o jogo de xadrez para as eleições de outubro acelera, marcado por disputas orçamentárias e a definição de quem terá o “carimbo” oficial do Governo Federal no estado. O Embate Alepe vs. Executivo
A retomada dos trabalhos legislativos ordinários nesta segunda-feira (2) ocorre sob a sombra de uma intensa disputa em torno da Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2026. A governadora Raquel Lyra (PSD) busca a aprovação de projetos que reestruturam a dívida estadual e autorizam novos empréstimos para investimentos.
Contudo, a relação com o Legislativo, liderado pelo presidente Álvaro Porto (PSDB), segue testando a autonomia da Casa. Recentemente, o governo optou por judicializar vetos da governadora que haviam sido derrubados pelos deputados, criando um impasse que o deputado Luciano Duque (Solidariedade) classificou como um clima de “guerra” que prejudica a votação de projetos essenciais.
João Campos e o “Fator Lula”
No Recife, o prefeito João Campos (PSB) consolida sua posição como o principal nome da oposição ao governo estadual. Líder nas recentes pesquisas de intenção de voto, Campos tem estreitado laços diretos com o presidente Lula.
A grande interrogação para 2026 reside na montagem do palanque governista federal:
- PT de Pernambuco: Em reuniões recentes, o partido reafirmou que a prioridade total é a reeleição do senador Humberto Costa.
- Palanque Único ou Múltiplo: Existe uma pressão para que Lula suba em apenas um palanque no estado, mas a governadora Raquel Lyra tem mantido uma postura de “aliança com o Brasil”, buscando entregas conjuntas com ministros, como ocorreu recentemente nas dragagens dos portos de Suape e do Recife ao lado de Silvio Costa Filho (Republicanos).
Movimentações Estratégicas
Enquanto Raquel Lyra pede que o debate eleitoral fique restrito ao período de campanha (julho a outubro), as peças continuam se movendo:
- Terceira Via e Direita: Nomes como Gilson Machado (PL) e Eduardo Moura (Novo) buscam consolidar bases focadas na crítica à segurança pública e à gestão tradicional.
- Investimentos como Vitrine: O Governo do Estado aposta em pacotes de infraestrutura e na “Caravana das Periferias” para levar visibilidade ao interior e às áreas vulneráveis da Região Metropolitana, tentando reduzir a vantagem da oposição na capital.
Com o Carnaval batendo à porta, a política pernambucana entra em um breve hiato público, mas as articulações de bastidor prometem que, na volta da folia, o estado viverá uma das disputas mais acirradas desde a redemocratização.

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